Logística Empresarial: Evolução – 1900-1950.

Atualizado: 5 de Fev de 2019


INTRODUÇÃO:

Podemos contemplar o Século XX e analisar fatos históricos que foram verdadeiras divisas. Sem dúvida a I Guerra Mundial (1914-1918), a Grande Depressão (1929), a II Guerra Mundial (1939-1945), a Guerra do Yon Kippur (e as crises do Petróleo a partir de 1973), a dissolução da URSS e a Globalização (1991) causaram profundas transformações na política, economia e nas sociedades.


Para o estudo da LOGÍSTICA a II Guerra Mundial teve uma enorme importância. Os seus conceitos não foram criados ou idealizados na época e já existiam desde o início da civilização, porém, de forma intrínseca e subjetiva. Os conceitos já existiam sem serem entendidos de maneira explícita.


A experiência acumulada pelos americanos no abastecimento das suas forças armadas nas operações em que estiveram envolvidos mostrou o mérito do apoio logístico. Sua importância foi entendida como sendo vital a ponto de contribuir decisivamente para converter a LOGÍSTICA numa ciência.


As forças armadas necessitavam de ações rápidas no front tendo meios disponíveis no lugar certo e no tempo necessário. Equivalente ao que aconteceu na guerra, estas ideias se transformaram numa das partes da gestão criando simultaneidade com ações de outras áreas (compras, produção, vendas, MARKETING, finanças, RH e etc.). Surgiu a LOGÍSTICA EMPRESARIAL.


Depois do conflito novas técnicas e conceitos e foram pesquisados e elaborados. O interesse agora se volta para a maneira como as empresas poderiam fazer uso da LOGÍSTICA de forma mais inteligente e proveitosa.

A EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL


RONALD H. BALLOU (1937-): é bacharel em engenharia mecânica e em administração de empresas com especialização em LOGÍSTICA DE NEGÓCIOS pela Universidade de Ohio. O professor BALLOU é apontado como sendo o pai da LOGÍSTICA EMPRESARIAL, é consultor de empresas, autor de vários livros sobre o assunto e tem mais de 50 artigos publicados.


BALLOU faz uma análise interessante sobre a EVOLUÇÃO DA LOGÍSTICA a partir das caraterísticas de períodos da história recente do Século XX:

A - Antes de 1950: os anos adormecidos.

B - De 1950 a 1970: o período de desenvolvimento.

C - De 1970 em diante: os anos de crescimento.


Outros autores analisam o processo evolutivo com outra visão. Por exemplo, MASTERS e POHLEN (1994) consideram o GERENCIAMENTO FUNCIONAL de 1960 a 1970, a INTEGRAÇÃO INTERNA em 1980 e a INTEGRAÇÃO EXTERNA em 1990. BOWERSOX e CLOSS tomam por bases duas décadas relevantes para a LOGÍSTICA: 1950 e 1980.


UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA:


INÍCIO DA LOGÍSTICA EMPRESARIAL – Antes de 1950:

Na primeira metade do Século XX havia atividade logística nas empresas, mas sem que houvesse uma gestão fundamentada e efetiva.


Esta tarefa, pouco explorada, era fragmentada entre muitos setores, não se apresentava como uma ação coordenada e integrada às demais áreas.


Limitava-se a SUPRIR a fábrica e, com uma preocupação só ligada às vendas, DISTRIBUIR produtos. Para o comércio, era obter as mercadorias e coloca-las nas prateleiras.


A produção, transporte, estoques, fornecimento, distribuição, estavam a cargo de áreas diferentes sem a gestão de um profissional exclusivo e especializado no assunto. Desta forma, os desentendimentos eram inevitáveis e os resultados abaixo do desejado.


Mas, nos EUA estudiosos também já demonstravam a preocupação com o assunto como JOHN F. CROWELL. Em 1901, com as áreas de produção agrícola americana cada vez mais longe dos mercados de consumo, CROWELL publica o primeiro texto sobre custos de distribuição de produtos.


Caminhando um pouco mais no tempo, como a Crise de 1929 acertou toda a economia mundial em cheio, a preocupação com a LOGÍSTICA ficou ainda mais em segundo plano. O pouco que era produzido pouco exigia da distribuição.

FREDERICK TAYLOR ao começar a trabalhar como operário começou a OBSERVAR o que achava ser uma má Administração: as empresas cresceram de maneira rápida, acelerada e sem nenhuma organização.


No seu livro ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA (1911) generalizou suas conclusões para a Administração em geral. Não havia integração entre os departamentos das empresas e a Administração praticamente não existia.


A mesma conclusão pode ser feita em relação à forma como as fábricas obtinham matérias primas, a sua distribuição interna no processo produtivo e como os bens produzidos chegavam às mãos dos clientes.


No início a FORD MOTOR COMPANY operava de forma artesanal e com uma considerável perda de tempo. HENRY FORD adotou a padronização, simplificação, Verticalização e a Linha de Montagem, um método que exigiu uma rede de suprimentos organizada para ter agilidade na produção otimizando tempo e recursos.

A FORD seguia três princípios: o princípio da produtividade, o princípio da intensificação e o princípio da economicidade. A Linha de Montagem (1914) dependia do fluxo constante de abastecimento e, trabalhando com uma “LOGÍSTICA” perfeita, o resultado foi o aumento de produtividade com o menor custo.


O DESEQUILÍBRIO:

Era evidente que ocorria um desequilíbrio entre a busca por custos menores de produção e o encarecimento ocasionado pelos métodos de distribuição ineficientes.


Mas, com os resultados obtidos pelas fábricas trabalhando nos padrões do TAYLORISMO e do FORDISMO o assunto ficava em segundo plano. Ou seja, produção e fornecimento físico eram atividades com uma forte relação de interdependência e precisavam estar em equilíbrio.

Mas, da mesma maneira que outras áreas do conhecimento evoluem, o estudo sobre LOGÍSTICA foi se desenvolvendo gradualmente. A compreensão exata dos princípios do gerenciamento logístico só viria acontecer no começo dos anos 50.


O "ARSENAL DA DEMOCRACIA" – 1941 A 1945:

Como resultado da Crise de 1929, a forte queda dos preços do comércio e na produção industrial gerou, além de uma enorme massa de desempregados, um alto índice de ociosidade.

Este quadro mudou radicalmente com a entrada dos EUA na II Guerra Mundial pelo esforço de guerra para as forças armadas americanas, Grã-Bretanha, União Soviética e outros países aliados.


As fábricas existentes e as novas que foram construídas produziram enormes quantidades munições, caminhões, tanques, navios, aviões, artilharia e todos os tipos suprimentos até o fim da guerra.


AS DUAS PONTAS:

A indústria americana, denominada de ARSENAL DA DEMOCRACIA, realizou um trabalho de LOGÍSTICA gigantesco:

Numa ponta supriu as fábricas com matérias primas e na outra ponta distribuiu a produção de sua capacidade industrial nas frentes de combate da Europa, África e Pacífico.


Toda esta movimentação bem sucedida chamou a atenção das empresas pela possibilidade de atuar da mesma forma nas duas pontas. E LOGÍSTICA passaria a fazer parte das empresas.


A RETOMADA:

Mas, 1946, 1947 e 1948 ainda foi um período difícil. Algumas fábricas retomaram a produção normal em outubro de 1945, mas com muitas dificuldades.


A indústria americana, que havia se adaptado para atender ao esforço de guerra, com o final do conflito manteve a sua capacidade produtiva apta para cobrir qualquer tipo de demanda.


Entretanto, atender o consumo reprimido pela guerra e auxiliar a reconstrução trouxe uma nova realidade: a retomada dos negócios e uma forte pressão nas empresas por custos que acirrou a disputa para ampliar mercado.


Depois de quase quatro anos de guerra em que nenhum carro de passageiros civil foi produzido, Detroit poderia ter vendido qualquer coisa com rodas que girassem.

FONTE: THE AUTO EDITORS OF CONSUMER GUIDE.


A partir de agora as empresas passam a ter a preocupação de satisfazer consumidores com novos padrões, atitudes e cheios de demandas por produtos. Apesar da situação tão favorável, aumento das vendas também trouxe outras condições:


● Ainda havia escassez de materiais importantes (principalmente o aço).

● A produção de vários bens ainda não havia voltado ao ritmo normal

● O entendimento sobre a ideia do desenvolvimento de tecnologia estava voltado somente para as linhas de produção.

● A preocupação com o atendimento ao consumidor final era assunto secundário.

● A necessidade de maior competência para transportar e distribuir produtos.

● Os eletrodomésticos e automóveis tinham um ar de modelos e versões requentadas de 1940 com poucas variedades de modelos e cores.

● O controle dos estoques era feito manualmente.

● Os pedidos para repor estoques demoravam muito tempo para serem atendidos.

No pós-guerra, a demanda aumenta e as empresas crescem. Todavia, surgem obstáculos como produzir mais em menos tempo e entregar mais rápido. E quanto maior o volume mais as atividades se tornam complexas, maior a necessidade de coordenar os aspectos relativos aos processos venda, produção e a necessidade de trabalhar a logística empresarial correta.


As dificuldades eram semelhantes e as empresas começaram a estudar e a ter como referência as ideias que eram utilizadas pelos militares:

- Localização estratégica de instalações (fábricas, depósitos e armazéns).

- Localização de Centros de Distribuição.

- Prever demanda.

- Planejar Produção.

- Planejar fontes de matérias primas.

- Gerenciar estoques (matérias primas e produtos acabados).

- Planejar movimentação entre locais diferentes.

- Administrar INFORMAÇÕES.

- Administrar Canais de Distribuição (atacado, varejo e distribuidores).

- Mão de obra disponível.

Sugestão de Leitura:

BALLOU, Ronald H. Gerenciamento da cadeia de suprimentos: planejamento, organização e logística empresarial. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2001.


BARCELLOS, Marta. O futuro chegou na supply chain: Valor Econômico, São Paulo, 3 fev. 2004.


BOWERSOX, Donald J.; CLOSS, David J. Logística empresarial: o processo de integração da cadeia de suprimentos. São Paulo: Atlas, 2001.







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