LOGÍSTICA E CADEIA DE SUPRIMENTOS

Atualizado: Fev 17


INTRODUÇÃO:

É frequente encontramos algumas afirmações confundindo LOGÍSTICA e CADEIA DE SUPRIMENTOS (SUPLLY CHAIN). Isto acontece por que ambas, atuando em conjunto em uma empresa, têm processos muito similares.


DIFERENÇAS:

Com o tempo, os processos da LOGÍSTICA passaram por modificações, como quaisquer outros processos dentro das organizações. Uma boa parte dessas mudanças ocorreu em razão dos avanços tecnológicos e pela necessidade de adequação às novas características e demandas do mercado.


CS – Cadeia de SUPRIMENTOS:

Também é conhecida como SUPLLY CHAIN. É o CAMINHO que um produto percorre, numa CADEIA, desde o fornecedor da matéria prima, armazenagem, fabricação, passagem pelos distribuidores e revendedores (os Canais de distribuição) até chegar ao cliente final. Ela surgiu com a finalidade de integrar todas as atividades num processo permanente. Há várias definições sobre CADEIA DE SUPRIMENTOS:


São os processos a partir de matérias-primas iniciais até a finalização do produto.


São as ações, dentro e fora de uma organização, numa CADEIA que produz produtos para o cliente.


Segundo LUMMUS, KRUMWIEDE e VOKURKA (2001), a CADEIA DE SUPRIMENTOS é a rede de instituições através da qual o material passa. Essas instituições podem incluir transportadores, fornecedores, centros de distribuição, fábricas, varejistas e clientes.


A rede envolve e considera todos os parceiros na CADEIA: empresas e os parceiros como fornecedores, transportadoras, terceirizados e prestadores de sistemas de informação.


LOGÍSTICA INTEGRADA:

A partir do final dos anos 70, a LOGÍSTICA começou a ser entendida como um SISTEMA INTEGRADO de materiais e organizações, ideia que evoluiu na década seguinte. Este período, marcado pela forte recessão causada pelo II CHOQUE DO PETRÓLEO, ocasionou o rápido aumento dos custos reais da distribuição e exigiu um planejamento maior, redução de estoques, novas formas de trabalho, o uso de tecnologia de informação e uma distribuição profissionalizada.


O conceito e a necessidade de LOGÍSTICA INTEGRADA entre os componentes da CADEIA foram aperfeiçoados e, na década de 90, o funcionamento deste SISTEMA INTEGRADO necessitou de uma GESTÃO mais rigorosa, o SCM.


Outras opiniões sobre a LOGÍSTICA INTEGRADA afirmam que ela é a integração funcional das diversas áreas da CADEIA, que atende às demandas de materiais e produtos com ações no ambiente externo da empresa. A LOGÍSTICA INTEGRADA liga funções logísticas, desde o fornecedor de matéria-prima até o consumidor final.


SCM – SUPPLY CHAIN MANAGEMENT (Gestão da Cadeia de Suprimentos):

Foi formada a partir dos conceitos da LOGÍSTICA e da LOGÍSTICA INTEGRADA, crescendo com a complexidade do relacionamento entre os vários agentes que compõem a CADEIA. Há várias definições sobre SCM:


De acordo com o CSCMP (Council of Supply Chain Management Professional – Conselho de Profissionais da Gestão da Cadeia de Suprimentos) a SCM é definida como o planejamento e gestão de todas atividades associadas à LOGÍSTICA interna e interorganizacional, bem como a coordenação e colaboração entre todos os parceiros da cadeia, sejam eles fornecedores, prestadores de serviço ou consumidores.


De acordo com HARLAND (1996), a SCM é o gerenciamento de uma rede interligada de negócios envolvidos na provisão final de pacotes de produtos e serviços requeridos por clientes finais.

Para os professores DONALD BOWERSOX, DAVID CLOSS e M. BIXBY COOPER (da Universidade de Michigan), a Gestão da Cadeia de Suprimentos envolve decisões estratégicas e a colaboração entre empresas conectando fornecedores, consumidores e outros parceiros para impulsionar a eficiência e gerar valor para o consumidor final.


O conceito atual da SCM interliga fornecedores e clientes finais, sendo vital a integração interna e externa de atividades, com planejamento e gestão de FLUXOS FÍSICOS e FLUXOS DE INFORMAÇÕES.


Para empresas de diferentes setores, a SCM promoveu aumento na produtividade, ganhos de tempo na identificação de entraves e focos de atrasos (embora o nível de trabalho varie de acordo com a realidade de cada empresa). O resultado foi a obtenção de custos menores, redução de estoques, aquisições (compras) mais favoráveis, transportes bem planejados e redução de desperdícios.

Portanto, a SCM desenvolve e administra métodos e operações de compras, armazenagem, controle da produção, vendas, distribuição e, dependendo da filosofia de trabalho da empresa, pode realizar pesquisas sobre os fornecedores dos fornecedores e a avaliar o nível de satisfação do cliente final.


Os procedimentos devem ser vistos como um sistema e o desempenho de cada integrante da CS (fornecedores, fábricas, armazéns, clientes, etc.) tem influência no resultado e no desempenho do processo.


LOGÍSTICA:

Trabalha para que os caminhos da CADEIA sejam percorridos de maneira mais rápida e com menor custo. A LOGÍSTICA representa uma integração interna de atividades e a Cadeia de SUPRIMENTOS representa sua integração externa.Para muitos estudiosos, SCM surgiu como uma evolução natural da LOGÍSTICA, que a tornou um componente dentro da Cadeia de SUPRIMENTOS.


A LOGÍSTICA é área voltada para o movimento físico do produto, da empresa até o cliente, operando como a responsável pela guarda, armazenagem movimentação e controle das matérias primas e dos materiais em estoque.


O foco é voltado para os prazos de entrega, fazendo com que essas operações sejam ligadas e dependentes para gerenciar a distribuição dos produtos até chegar ao mercado.


Hoje, a LOGÍSTICA é uma ferramenta que usa Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) para que uma empresa faça funcionar sua Cadeia de SUPRIMENTOS da maneira mais ágil possível e com melhor padrão de competitividade.

OUTRAS VISÕES – As quatro perspectivas:

A LOGÍSTICA e a CADEIA DE SUPRIMENTOS passaram por modificações e, com o tempo, como qualquer outro tema, outras ideias surgiram na literatura e na opinião de estudiosos, profissionais da área, especialistas e docentes. Segundo HALLDÓRSSON, LARSON e POIST (2008) há quatro perspectivas que abrangem todos os possíveis modos dos campos da LOGÍSTICA e CADEIA DE SUPRIMENTOS:


1 – RE-ROTULAGEM: a LOGÍSTICA e CADEIA DE SUPRIMENTOS são a mesma atividade usando a nomenclatura GCSGestão da Cadeia de Suprimentos. Os GESTORES de LOGÍSTICA podem ser vistos como gerentes da CADEIA DE SUPRIMENTOS, tendo um novo título, mas, com a mesma definição de trabalho.


2 – TRADICIONALISTA: a LOGÍSTICA incorpora a CADEIA DE SUPRIMENTOS, que é entendida como um tipo ou subclasse da LOGÍSTICA, com um enfoque externo que inclui clientes e fornecedores.


3 – SINDICALISTA: a LOGÍSTICA é uma parte da CADEIA DE SUPRIMENTOS. O ponto de vista é amplo e profundo considerando todos os componentes (estratégicos e táticos) dentre as diversas áreas funcionais. As ações do GESTOR máximo da CADEIA DE SUPRIMENTOS se igualariam às ações de um CEO.


4 – INTERSECÇÃO: LOGÍSTICA e CADEIA DE SUPRIMENTOS sobrepondo-se parcialmente. As empresas que adotam este modelo podem instituir um conselho da CADEIA DE SUPRIMENTOS, formado por executivos das organizações que fazem parte da CADEIA. A finalidade seria quebrar as barreiras da GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS, buscando oportunidades para melhorar desempenho geral da cadeia.


Sugestão de Leitura:

BERTAGLIA, PAULO ROBERTO. Logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento. Edição: 3ª. Editora Saraiva, São Paulo, 2012.


POZO, HAMILTON. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos: Uma Introdução. Edição: 2ª. Editora Atlas, São Paulo, 2019.


LAMBERT, Douglas M.; STOCK, James R.; VANTINE, José G. Administração estratégica da logística. Tradução Maria C. Vondrak. Vantine Consultoria, São Paulo, 1998.


PIRES, Silvio R. I. Gestão da cadeia de suprimentos: conceitos, estratégias, prática e casos. Editora Atlas, São Paulo, 2004.


TAYLOR, D.A. Logística na cadeia de suprimentos: uma perspectiva gerencial. Pearson Addison-Wesley, São Paulo, 2006.


CHOPRA, S.; MEINDL, P. Gerenciamento da cadeia de suprimentos. Prentice Hall, São Paulo, 2003.


CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: estratégias para redução de custos e melhoria dos serviços. Editora Pioneira Thompson Learning, São Paulo, 2002.


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