Gestão Ambiental - Água de REÚSO na Indústria

Atualizado: Fev 28


INTRODUÇÃO:

O REÚSO de água (ou uso de águas RESIDUÁRIAS) vem sendo praticado desde a Antiguidade. Com o aumento da conscientização ambiental, nos últimos anos do Século XX, a ÁGUA passou a ser vista como um recurso natural essencial.


Surgiram assim, novas tecnologias e o conceito de GESTÃO AMBIENTAL que permitiram um cuidado maior com a REUTILIZAÇÃO da água em processos industriais.


O volume de água em uso nas indústrias, a princípio, tem como maior obstáculo o desperdício nas instalações industriais (reduzir o consumo de água durante a fabricação).


ASPECTO ECONÔMICO E AMBIENTAL:

As indústrias, que consideram a sustentabilidade ambiental como parte importante no seu modelo de negócios, estão investindo grandes somas em tecnologia e práticas para reduzir gastos e desperdícios fazendo com que o ciclo de reutilização seja cada vez mais intenso.


O trabalho de gestão integrada dos recursos hídricos se inicia no treinamento e orientações a todos colaboradores, criando a mentalidade voltada para combater o desperdício. Além das melhorias nos métodos de produção, há ações contra vazamentos, corrosão, aproveitamento racional pelo REÚSO planejado da água (em áreas fabris, administrativas e externas), reaproveitamento e tratamento de efluentes em estações de tratamento e, se for o caso, o descarte ambientalmente correto.

CONSUMO SUSTENTÁVEL:

Significa saber como usar recursos naturais para satisfazer as nossas necessidades, sem comprometer as necessidades e aspirações das gerações futuras. E este pensamento é válido, não apenas para o uso da água na atividade industrial. O consumo racional aliado às estratégias de REÚSO traz resultados bastante válidos para o agronegócio, condomínios residenciais, condomínios comerciais e geração de energia.


A INDÚSTRIA – A GRANDE VILÃ?

A opinião geral sempre considerou a atividade industrial a maior, senão uma das maiores, responsáveis pela poluição dos rios.


De acordo com as fotos utilizadas para ilustrar textos que abordam o assunto, os dejetos que poluem os rios e mares (junto com toneladas de peixes mortos), são sempre provenientes de fábricas que, sem nenhum cuidado, lançam no meio ambiente toneladas de tudo o que não tem mais serventia.

Esta imagem vem sendo modificada. As fábricas, antes eram vistas como as grandes VILÃS, estão aplicando somas consideráveis em práticas sustentáveis. A reutilização da água vem se tornando uma atitude bem vantajosa para a indústria ao reduzir danos ao meio ambiente, custos de produção e melhoria da imagem corporativa diante da sociedade.


A redução e a utilização correta dos recursos hídricos pelas indústrias são fundamentais para diminuir os impactos no meio ambiente causados pelo HOMEM.

Na verdade, a “Lei das Águas” (lei nº 9.433 – 08/01/1997) teve grande peso nesta mudança de atitude da indústria. A Lei contém imposições pesadas e restritivas quanto ao lançamento de efluentes no meio ambiente.


Lei Nº 9.433 – 08/01/1997: institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o art. 1º da Lei nº 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989.

Lei Nº 9.984 – 17/07/2000: institui a ANA (Agência Nacional de Águas), um fator importante dentro deste cenário. É uma autarquia do Governo Federal vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Regional, e responsável pela implementação da gestão dos recursos hídricos brasileiros.


A REUTILIZAÇÃO DA ÁGUA INDUSTRIAL:

Para iniciar um projeto de REUTILIZAÇÃO da água em processos industriais, independentemente do ramo de atividade, é necessário ter o conhecimento de todas as fases da produção, a quantidade e a qualidade de água que é empregada em cada etapa (balanço hídrico).


Desta forma, é possível estabelecer quais as formas de REUTILIZAÇÃO que serão mais viáveis para a adaptação às questões ambientais e as normas legais.


A – Há a recuperação de EFLUENTES vindos do processo produtivo que, depois de passar por descontaminação e tratamento (químico ou biológico), se transformam em água para diversas finalidades não potáveis.


B – Há indústrias com processos que NÃO PODEM UTILIZAR a água de REÚSO como matéria-prima na composição de seus produtos. A sua destinação também é para usos não potáveis.


Em ambos os casos, este trabalho contribui na conservação de recursos hídricos e traz benefícios econômicos e sociais: a água de REÚSO é destinada para a irrigação de jardins, lavagem de pisos, manutenção de espelhos d'água, ar condicionado, limpeza de equipamentos, lavagem de veículos, limpeza de áreas externas, descargas sanitárias etc.


C – Outras indústrias podem fazer o REÚSO da água como matéria-prima no reaproveitamento de EFLUENTES da própria produção, nas águas pluviais etc. Após a RECIRCULAÇÃO (tratamento por microfiltração, nano filtração, abrandamento ou desmineralização) elas voltam a ter utilidade econômica.


O tratamento elimina microrganismos, impurezas e diminui a dureza (o teor de sais de cálcio e magnésio), o teor de SÍLICA, o teor de cloretos e a condutividade (capacidade da água de conduzir corrente elétrica).


FORMAS DE REÚSO:

● Reciclagem Interna:é a forma mais econômica de REÚSO industrial. Após o uso, a água é tratada dentro das instalações industriais e reutilizada na própria produção.


● Reúso Direto: uso planejado dos recursos hídricos provenientes de efluentes, tratamentos de esgotos ou captações pluviais para o uso industrial.


● Reúso Indireto: é quando a água já utilizada é tratada e despejada nos corpos hídricos para diluição e captada, novamente, para o REÚSO.


Independentemente da área de atuação, grandes volumes de água potável podem ser poupados pelo reúso, para o atendimento de necessidades que não solicitam potabilidade.


Um sistema de tratamento de água industrial garante reaproveitamento correto ou, caso não haja a viabilidade, deverá prever um descarte no meio ambiente feito de forma segura.



SUGESTÃO DE LEITURA:

TELLES, DIRCEU D´ ALKMIN; COSTA, REGINA H. P. GUIMARÃES. Reúso da Água. Conceitos, Teorias e Práticas. Editora Edgard Blucher, 1ª Edição, São Paulo, 2007.


HESPANHOL, IVANILDO; MIERZWA, JOSÉ CARLOS. Água na Indústria - Uso Racional e Reúso. Editora Oficina de Textos, 1ª Edição, São Paulo, 2005.


Manual de conservação e REÚSO da água na indústria – FIRJAN e SEBRAE-RJ.


MANCUSO, PEDRO C. SANCHES; SANTOS, HILTON FELÍCIO DOS. Reúso de Água. Editora Manole, Barueri, 2013.

DIA MUNDIAL DAS ÁGUAS:

A data foi criada pela Assembleia Geral da ONU (resolução A/RES/47/193 de 21/02/1993) que declara o dia 22 de Março de cada ano como sendo o DIA MUNDIAL DAS ÁGUAS.


A data foi instituída para alertar sobre a importância da preservação da água. A cada ano um tema específico é abordado, para a conscientização sobre a urgência da economia deste recurso natural, vital para a sobrevivência de todos.

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