A TOMADA DE DECISÃO


INTRODUÇÃO:

Para muitas pessoas, tomar uma DECISÃO sobre algum assunto pode ser um verdadeiro transtorno.


Dificuldades diante de decisões corriqueiras ou complexas, no ambiente profissional ou na esfera pessoal, podem estar ligadas à personalidade, experiências, nível de conhecimento, percepção ou capacidade de observação dos indivíduos.


Em Administração a TOMADA DE DECISÃO é uma ação contínua, pela qual se elegem alternativas. É a escolha com base em diversas INFORMAÇÕES, cenários, ambientes, análises e fatores. A finalidade é encontrar uma escolha decisiva. A escolha que produza soluções corretas para determinados problemas.


ENTENDENDO A TOMADA DE DECISÃO:

Toda a TOMADA DE DECISÃO exige de qualquer profissional, em todos os níveis, o conhecimento do problema, capacidade de raciocínio lógico, pensamento analítico e bom senso.

● Pode ser uma ação rápida, muitas vezes simples, automática e imperceptível para a qual não há necessidade de um raciocínio complexo, nem o uso de inúmeros elementos interligados com alguma profundidade.

● Pode ser, também, que a DECISÃO deva ser tomada num cenário com inúmeros e sérios problemas de gerenciamento.


Cada DECISÃO é importante para a ORGANIZAÇÃO e poderá conduzir a uma grande reflexão, pesquisa, levantamentos ou investigação que, certamente, exigirá a colaboração de diversos departamentos.


A TOMADA DE DECISÃO nunca foi um processo simples. Mas, se analisarmos as décadas passadas, as circunstâncias eram outras: negócios mais estáveis, poucas alternativas, concorrência menor, baixos riscos e situações mais fáceis de serem previstas e controladas.

Atualmente, os administradores precisam acompanhar a velocidade dos negócios e levar em conta os RESULTADOS NÃO ECONÔMICOS: além da satisfação dos STAKEHOLDERS, dos participantes do negócio e dos colaboradores, a partir do fim do Século XX, as organizações se tornaram parte cada vez mais importante para a sociedade.


Hoje, é preciso considerar novos requisitos, muito além de objetivos estratégicos, resultados e crescimento. As ações das empresas precisam levar em conta a RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL (RES): geração de emprego e renda, progresso, inserção social e menor impacto ao meio ambiente.


CONCEITOS SOBRE A TOMADA DE DECISÃO:


1 – DECISÃO:

Há várias ideias que explicam a palavra DECISÃO:

Mas, de qualquer forma, ela implica na tomada de uma posição diante de várias possibilidades para resolver uma determinada situação ou problema, onde a ação escolhida pode, futuramente, trazer resultados positivos ou negativos.


A DECISÃO pode ter por base a intuição, conhecimento, experiências, crenças ou a noção de CAUSA-EFEITO para ser adotada como a melhor alternativa possível no presente ou no futuro.


A DECISÃO é considerada adequada quando ela alcança a finalidade proposta. No entanto, a falha na avaliação das variáveis envolvidas e no modelo escolhido, o desconhecimento do objetivo, informações incompletas, falsas, complexas, confusas ou em excesso, podem levar a uma decisão desastrosa.


No dia-a-dia, em qualquer momento, é necessário decidir, optar diante de muitas variáveis. O PROCESSO DECISÓRIO é difícil, e não há certeza absoluta e garantias quanto ao resultado.

O economista e psicólogo americano HERBERT SIMON (1916-2001) efetuou trabalhos sobre DECISÃO e comportamento humano. De acordo com a sua TEORIA DAS DECISÕES:


● As ORGANIZAÇÕES são entendidas como um SISTEMA DE DECISÕES no qual cada PESSOA toma suas próprias DECISÕES.

● A tomada de DECISÕES não é aleatória.

● A tomada de DECISÕES é um processo racional e consciente que vai gerar outros comportamentos ou ações.

DECISÕES são tomadas de maneira contínua em todos os níveis da hierarquia, em todas as áreas, em todas as situações e por todas as PESSOAS.

● Uma PESSOA toma uma DECISÃO em função da sua percepção de uma situação e de seu raciocínio.

● Um PROCESSO DECISÓRIO pode ser influenciado por diversos fatores: valores pessoais, valores da sociedade a qual indivíduo pertence, experiências ou CONHECIMENTO prévio de cada um e condição do ambiente onde o indivíduo atua.

2 – A TOMADA DE DECISÃO:

Consiste na identificação do problema, na identificação dos critérios a serem utilizados, na forma de elaborar, analisar, escolher, avaliar e definir aquela que será adotada entre várias alternativas.


O PROCESSO DECISÓRIO acontece em todas as atividades em qualquer tipo de organização e pode estar ligado às ações inconscientes, às tarefas rotineiras ou, principalmente, à busca de soluções para problemas mais graves.


A IMPORTÂNCIA DA TOMADA DE DECISÃO:

A principal função do administrador na empresa, em qualquer nível da hierarquia, é saber TOMAR DECISÕES. Portanto, ele deve OBSERVAR e ter atenção a tudo o que se passa no AMBIENTE INTERNO e no AMBIENTE EXTERNO para obter o máximo de informações.


Isto é básico para qualquer profissional. Assim, é bastante provável que ele identifique e analise situações e ameaças que solicitem ações corretivas ou preventivas (ANTECIPAR e não REAGIR). Um processo de TOMADA DE DECISÃO, mesmo em relação às rotinas, deve seguir normas, deve ser feito com cuidado e ser fundamentado em INFORMAÇÕES válidas para atingir maior grau de EFICIÊNCIA, EFICÁCIA e EFETIVIDADE possível.

A TOMADA DE DECISÃO requer a identificação do problema, análises, suposições e escolhas de alternativas, nem sempre muito fáceis de fazer e o monitoramento de seus resultados. Existem riscos, perdas e ganhos, conflitos de valores, opiniões divergentes, jogos de interesses e conflitos pessoais que fazem parte do processo. E o mercado não perdoa quem adota decisões erradas com clientes (internos e externos), fornecedores e demais STAKEHOLDERS.


“No mundo empresarial há concessões, perdas, ganhos, conflitos, erros difíceis de consertar e o maior inimigo: a indecisão”.


NÍVEIS DA TOMADA DE DECISÃO:

Estratégico: são decisões da Diretoria e Alta Administração para estabelecer objetivos para um período de 5 a 10 anos.

Tático/Administrativo: são decisões em nível gerencial que envolvem ações para um período de 1 ano com o objetivo de cumprir objetivos fixados na estratégia.

Operacional: são decisões diárias sobre TAREFAS de rotina relacionadas às normas e procedimentos que os funcionários executam em suas funções em cada departamento.

Nível de importância: pode ser altamente importante, importante, de média importância, pouco importante e sem importância.


FASES DA TOMADA DE DECISÃO:

Não há uma fórmula pronta e mágica para acertar 100% nas escolhas. Mas, existem algumas fases que podem auxiliar sobre o problema e sua melhor solução. O trabalho se processa com maior facilidade em organizações que contam com PESSOAS capacitadas (Contingente Intelectual) e INFORMAÇÕES para a construção da INTELIGÊNCIA:

● – Percepção do problema: são fatos identificados e repetitivos (ou não) que resultam em alguma ocorrência negativa.

● – Análise e definição do problema: é um diagnóstico definindo, separando causas e identificando os fatos que produziram o problema. Toma-se por referência, padrões estabelecidos comparando resultados previstos, desempenhos atuais e anteriores.

Nesta etapa, utilizando a HABILIDADE CONCEITUAL, é possível analisar tendências e a gravidade dos fatos detectados reconhecendo a necessidade da TOMADA DE DECISÃO.

● – Informações: coletar todas as informações relacionadas ao problema e de interesse na TOMADA DE DECISÃO.

● – Alternativas: é preciso criar uma lista de simulações que sejam viáveis e compatíveis com a solução do problema. Também é possível antecipar recursos necessários, prováveis consequências e resistências.

● – Implementação: colocar em prática a melhor escolha, o que foi definido como alternativa de resolução, acompanhar e avaliar os efeitos para corrigir eventuais desvios.


TIPOS DE TOMADA DE DECISÃO:

● – Com base no Instinto: são as decisões naturais, rápidas, tomadas sem muita reflexão. As consequências não foram corretamente avaliadas, e em geral, são decisões sobre assuntos do dia-a-dia com grande possibilidade de erros.

● – Com base em crenças conscientes: é uma decisão mais racional. O GESTOR no papel de TOMADOR DA DECISÃO analisa e avalia a situação com base em critérios. A DECISÃO é mais adequada, baseada em crenças conscientes, experiências e na HABILIDADE TÉCNICA.

● – Com base em crenças subconscientes: o TOMADOR DA DECISÃO segue PARADIGMAS que ele crê que são absolutamente verdadeiros. Assim, as DECISÕES podem ser racionais, ou não, por dependerem do conjunto de suas crenças.

● – Com base em valores: tem como base AQUILO que o TOMADOR aceita como DECISÕES certas ou erradas, seguindo seus valores e vivências pessoais. Alguns estudiosos afirmam que, TOMADORES com este perfil apresentam valores positivos e DECISÕES mais acertadas e coerentes.

● – Com base na intuição: o TOMADOR DA DECISÃO segue seus conhecimentos acumulados que possibilitam separar o que ele acredita ser certo ou não. Quanto maior a intuição, maior a possibilidade de DECISÕES mais corretas.

● – Decisão Centralizada: todo o processo decisório para uma grande variedade de temas está concentrado nos profissionais que ocupam cargos mais elevados. Este tipo de TOMADA DE DECISÃO faz com que a empresa perca a flexibilidade.

● – Decisão Descentralizada: os níveis mais baixos da hierarquia têm uma relativa liberdade para decidir sobre diversos temas, sem interferência de seus superiores. Este tipo de TOMADA DE DECISÃO faz com que a empresa seja muito mais ágil diante de seus problemas.


3 – TOMADOR DE DECISÃO:

É o profissional que escolhe alternativas para ações futuras, projetos e negociações.


4 – PROBLEMA:

É um evento ou situação fora do previsto, que acontece quando o resultado obtido não está sendo atingido, ou quando não irá atingir o que foi estabelecido.


5 – AMBIENTES DO PROCESSO DECISÓRIO:

Ambiente de CERTEZA: a DECISÃO é relativamente fácil. As situações são estáveis possibilitando maior nível de acerto. Para tanto, o TOMADOR é bem informado sobre o problema, as alternativas para a solução são óbvias e os resultados bem previsíveis. É possível antecipar e controlar acontecimentos e resultados.


Ambiente de RISCO: a TOMADA DE DECISÃO já apresenta dificuldades. As soluções foram definidas, mas, são necessárias análises de eventos que provavelmente poderão afetar os resultados desejados. Na maior parte dos casos, a quantidade e a confiabilidade das informações poderão ter grande influência sobre o grau de risco.


Ambiente de INCERTEZA: a quantidade e a confiabilidade das informações são insuficientes para a garantia das soluções. Decidir, tomar uma decisão, escolher, optar pela melhor alternativa e encontrar a solução para determinados problemas, envolve RISCOS. O TOMADOR pode ter dificuldades para identificar os problemas e definir soluções e os prováveis possíveis resultados. Na maior parte dos casos, o grau de incerteza é proporcional às situações em que os problemas são atípicos.


Sugestão de Leitura:

FREITAS CLAUDIA REGINA; ALMEIDA, MARIO DE SOUZA. Gestão do Conhecimento para Tomada de Decisão. Editora Atlas, São Paulo, 2011.


SIN OIH YU, ABRAHAM; CAMARGO, ALCEU SALLES; LIMA, AFONSO CARNEIRO. Tomada de Decisão nas Organizações - Uma Visão Multidisciplinar. Editora Saraiva, São Paulo, 2011.


JONES, DAWNA; Trad.: EVELINE MACHADO. Tomada de Decisão Para Leigos. 1ª Edição, Editora Alta Books, Rio de Janeiro, 2015.

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