A PESQUISA HOXIE


INTRODUÇÃO:

A partir de 1893, TAYLOR passou a atuar como consultor independente e seu cartão de visitas o apresentava como "Especialista em sistematizar gestão de fábricas e custos de fabricação". Entre os anos de 1901 e 1912 os novos métodos de trabalho foram sendo aplicados em diversas empresas por TAYLOR com o apoio de sua equipe de seguidores.


Comprovadamente o TAYLORISMO elevava o desempenho nas empresas. Nas fábricas onde estas ideias eram praticadas a produção duplicou ou até triplicou e os lucros aumentaram muito. Ao mesmo tempo, todas as etapas de trabalho supérfluas eram eliminadas, a empresa se tornava mais produtiva e os trabalhadores obtiveram maiores salários.


Apesar dos bons resultados, a introdução das novas formas de trabalho frequentemente causava problemas e greves de trabalhadores. De um modo geral, a abordagem concebia a organização dentro de um sentido mecânico e com o emprego de técnicas mecanicistas que formaram a ideia da desumanização do trabalho.


OS SINTOMAS:

Os problemas começaram pelo fato de que não era fácil trocar as tradições estabelecidas na maneira de trabalhar (quase que perpétuas) por novos procedimentos muito mais eficientes.


"Os elementos de aplicação da Administração Científica... exige uma revolução mental tanto da parte da direção como da parte dos operários..."

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 4. ed. São Paulo: Makron, 1993. Pág. 56


Antes da Administração Científica, os trabalhadores sentiam orgulho ao concluir um produto, que desapareceu quando eles completavam apenas uma parte da produção. Na divisão do trabalho com o método TAYLORISTA na manufatura, os trabalhadores perderam o senso de conexão com a produção.


O trabalho monótono e insatisfatório nas fábricas criou tensões levando os trabalhadores a buscar apoio nos sindicatos para representar suas necessidades.

Ou seja, eles começaram a se sentir desprivilegiados. E TAYLOR tinha uma visão bem negativa sobre os sindicatos acreditando que eles apenas levavam à diminuição da produtividade.


ARSENAL DE WATERTOWN – A PARALISAÇÃO:

● Sob a gestão científica, com CARL BARTH as demandas de trabalho se intensificaram no ARSENAL DE WATERTOWN.

● A gestão científica reduziu o moral dos trabalhadores e exacerbou os conflitos entre o trabalho e a gestão.

● Os operários ficaram insatisfeitos com o ambiente e com um alto nível de ressentimento e hostilidade.

● Na gestão científica a racionalização do trabalho de TAYLOR violou a integridade do trabalhador (ninguém gosta de ser vigiado por um cronômetro).

● A gestão científica causava a erosão e desqualificação de empregos.

● Como consequência, inadvertidamente o TAYLORISMO fortaleceu o poder dos sindicatos.

● quando publicou seus “Princípios de Gestão Científica” em 1911, líderes sindicais denunciaram seu programa, apelidado por muitos de “TAYLORISMO”, como antidemocrático e desumanizante.


“Isto nós acreditamos ser o limite de nossa resistência. É humilhante para nós, que sempre tentou dar ao governo o melhor que havia em nós. Este método é antiamericano”.


Ao se introduzir o sistema de bônus na fundição do ARSENAL em 1911, toda a força de trabalho saiu por alguns dias. A greve num órgão tão importante do governo levou a uma investigação dos métodos por um comitê do no Congresso americano.


A PESQUISA HOXIE:

A primeira crítica grave ocorreu com a PESQUISA HOXIE que foi organizada pelo Senado americano e dirigida por ROBERT FRANKLIN HOXIE (1868-1916). Esta pesquisa iniciada em 1911 é considerada como um dos principais alertas em oposição à tirania do “SISTEMA TAYLOR”. ROBERT HOXIE, era economista e professor da UNIVERSIDADE DE CHICAGO, investigador especial da Comissão de Relações Industriais dos EUA entre 1914 e 1915 e editor associado do JOURNAL OF POLITICAL ECONOMY.


A PESQUISA HOXIE teve por objetivo estudar os problemas em relação às greves e tumultos dos trabalhadores nas fábricas americanas. O "COMITÊ PARA AS RELAÇÕES INDUSTRIAIS" apontou os inconvenientes morais, psicológicos e sociais causados pelo sistema baseado apenas no rendimento e na eficiência, justificando a reação dos trabalhadores por meio de greves e protestos.


Os operários não conseguiam trabalhar de acordo com o ritmo de tempo-padrão preestabelecido e passaram a se queixar de uma nova forma sutil de exploração: padrões elevados de desempenho favoráveis à empresa e desfavoráveis aos trabalhadores.

Os operários viam a SUPERESPECIALIZAÇÃO como degradante e humilhante. A justificativa era pela monotonia, automatismo, menor exigência de raciocínio e pela destituição completa de qualquer significado psicológico do trabalho. O homem deveria produzir como uma máquina (conhecida como a TEORIA DA MÁQUINA).


Pelas críticas feitas pelos trabalhadores de WATERTOWN - civis e sindicalizados - TAYLOR foi levado à frente do comitê para depor. Em 1912 testemunhou diversas vezes longamente diante de um comitê do Congresso que analisava seus métodos.


Ainda em 1912 o Comitê relatou e concluiu que a Administração Científica trouxe algumas técnicas úteis e valiosas sugestões organizacionais. Entretanto, o sistema forçava a velocidade dos trabalhadores de forma anormal, suas características disciplinares eram arbitrárias e severas e que o uso do cronômetro e o pagamento de um bônus eram prejudiciais à masculinidade do trabalhador.


Em uma sessão subsequente o Congresso proibiu o uso do cronômetro e o pagamento de prêmios ou bonificações aos trabalhadores em estabelecimentos do governo americano. Concluindo, proibiu o gerenciamento científico nas instalações governamentais e desfez o sistema TAYLORISTA em WATERTOWN.


Ao final do processo TAYLOR foi condenado “moderadamente” e o relatório final fazia uma recomendação pela qual deveria haver o consentimento mútuo entre classe trabalhadora e classe patronal antes da aplicação de qualquer sistema de gestão.


Apesar desses contratempos, a Administração Científica, ressoou no mundo dos negócios e as ideias de TAYLOR continuaram a se espalhar num período em que as empresas estavam à procura de uma maneira de mudar um sistema de produção artesanal por uma forma de trabalho mais ágil e lucrativa.

E os grandes ganhos de produtividade e o desenvolvimento do Século XX não teriam sido possíveis sem o gerenciamento científico.


Administração Científica foi de grande valor quando os Estados Unidos entraram na I Guerra Mundial em 1917. Mesmo com a proibição do cronômetro e dos pagamentos de incentivos, as demais técnicas da Administração Científica foram preservadas, resultando em ganhos de eficiência na produção.


A I Guerra Mundial deu aos americanos grandes oportunidades de aplicar em larga escala a Administração Científica mostrando aos europeus novos padrões de eficiência de operação militar. O peso da indústria americana foi fundamental para a vitória. Os franceses ficaram bastante admirados com a quantidade e com os meios à disposição das tropas americanas, sua velocidade na construção de estradas, cais, linhas de comunicação, etc.

Após 1918, os Estados Unidos emergiram como a única superpotência econômica do mundo, o que só foi possível porque os fabricantes mobilizaram suas indústrias para atender às demandas do conflito.


2 visualizações
  • Google+ Social Icon
  • Twitter Social Icon
  • LinkedIn Social Icon
  • Facebook Social Icon
ENTRE EM CONTATO
  • Grey Google+ Icon
  • Grey Twitter Icon
  • Grey LinkedIn Icon
  • Grey Facebook Icon