A PARTICIPAÇÃO FEMININA NO EMPREENDEDORISMO

Atualizado: 29 de Ago de 2019


INTRODUÇÃO:

Um dos assuntos que têm sido objeto de estudos, debates (até acalorados) e ganhando importância como tema de palestras é o EMPODERAMENTO FEMININO. A maioria dos que analisam a matéria se preocupam apenas com aspectos sociais desfavoráveis às mulheres, o resultado de uma forma compulsória da sociedade patriarcal. Ou seja, hoje em tudo a mulher ainda precisa provar maior capacidade ao ser comparada aos homens.


Até há pouco tempo a desproporção de direitos entre homens e mulheres era um assunto desconsiderado. Por séculos, ambos os lados estiveram de acordo com a ideia que homens e mulheres possuem diferenças naturais que a sociedade estabeleceu. Desta maneira, em relação ao universo masculino a mulher foi relegada a uma posição de inferioridade tendo por princípio uma “CONDIÇÃO” firmada como fato natural.

Os tempos mudaram mesmo e os questionamentos se ampliaram. Agora podemos verificar outros desdobramentos que estimularam ainda mais a controvérsia:


● O EMPODERAMENTO FEMININO tem relação com o EMPREENDEDORISMO?


● O EMPODERAMENTO FEMININO pode ser uma das razões que levam um número cada vez maior de mulheres para o EMPREENDEDORISMO?


A MULHER NO MERCADO DE TRABALHO:

O aumento da participação feminina na vida econômica do Brasil não está relacionado só com a ampliação do seu nível de formação. Mas, outros antecedentes também contribuíram:


● O processo de industrialização no Brasil, intensificado a partir do governo JK (1956-1961), iniciou uma grande transformação na estrutura produtiva, acelerou a urbanização e, ao mesmo tempo, mudou a sociedade.


● Outro fator que teve influência a partir da segunda metade da década de 1960 foi a liberação dos costumes e o senso de maior autonomia para as mulheres.


● O achatamento da renda tornou necessária a inclusão das mulheres no mercado de trabalho pois o marido sozinho já não conseguia mais dar o sustento para a família. Então, gradativamente ocorreram mudanças no estilo de vida.


● No início da década de 1970 a mulher amplia espaços dentro de variados setores do mercado de trabalho, aumenta sua participação na vida cultural, política e em outros campos de atividade.


● A mudança na estrutura familiar: a queda das taxas de fecundidade, o período para a preparação profissional aumentou e o casamento perdeu prioridade para a carreira.


● Mesmo com essas mudanças em relação aos comportamentos e atitudes, muitas mulheres carregam o peso com a divisão de papéis (a JORNADA DUPLA: a profissão e os cuidados com a casa).


● Por uma questão cultural e apesar do seu talento, a mão de obra feminina é discriminada em boa parte das empresas. A luta pela ocupação de espaço é crescente para que as mulheres cheguem a igualdade de gênero e reconhecimento no mercado de trabalho. Em qualquer abordagem a respeito do tema se discute sempre sobre as condições de inferioridade em que a mulher se encontra:

A – A remuneração da mulher é menor.

B – A carga de trabalho da mulher é maior.

C – A divisão da responsabilidade é desigual.

D – Os direitos ainda não foram conquistados integralmente.

E – As chances para alcançar cargos mais importantes são bem limitadas.

F – As crises e a instabilidade do mercado de trabalho formal.

G – E ainda há o problema do assédio...


AS MULHERES NO EMPREENDEDORISMO:

Todos estes fatores levaram as mulheres a enxergarem no EMPREENDEDORISMO a grande possibilidade de melhorar suas vidas: contribuir na renda familiar, ter outra fonte de renda ou ter o próprio sustento, o enriquecimento de suas vidas e carreiras (autoestima), liberdade e independência.

De modo geral, o EMPREENDEDORISMO feminino teve um crescimento expressivo em todos os países a partir das últimas décadas do Século XX. No Brasil sua participação na vida econômica tem aumentado e estudos apontam que a brasileira é uma das mais empreendedoras do mundo.


A pesquisa realizada pelo GEM (GLOBAL ENTREPRENEURSHIP MONITOR) em 2010 mostra a participação ativa na criação e gestão de novos negócios como opção de carreira: entre as pessoas dedicadas ao EMPREENDEDORISMO na fase inicial 49,3% são mulheres (10.400.000).

A pesquisa realizada pela SEBRAE mostra que de cada 100 EMPREENDEDORES, 45 são mulheres. Outra pesquisa realizada mostra que 61.000 mulheres tem uma franquia com um faturamento 32% acima das lojas que são gerenciadas pelos homens.


A pesquisa do GEM Brasil 2017 mostra que o número de EMPREENDEDORES iniciais é cada vez maior (em razão da crise econômica que fez com que as pessoas procurassem alternativas de ganho além do emprego formal). E a parcela de mulheres continua superando os homens.

AS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA EMPREENDEDORA:

As EMPREENDEDORAS se diferenciam por algumas peculiaridades que são consideradas essenciais. Provavelmente são características que determinam a longevidade e sucesso das mulheres nos negócios exigindo coragem e muito esforço.

Embora progridam de maneira mais lenta, a taxa de sobrevivência é maior.


Das EMPREENDEDORAS 33% atuam no comércio varejista, 20% em alimentação, 12% na indústria de transformação e o restante está distribuído por diversos setores. No Brasil 40% dos novos empresários são mulheres, enquanto no mundo elas representam 30%.


– Elas procuram maior compreensão do mercado, dos detalhes e procedimentos que envolvem a área em que atuam. Preferem investir em setores que já conhecem por formação acadêmica ou experiência profissional.


As EMPREENDEDORAS são mais jovens, possuem maior nível de escolaridade, maior resiliência, são organizadas e detalhistas.


– Em geral elas planejam melhor os negócios, são mais cautelosas, desenvolvem habilidades gerenciais e apresentam maior estabilidade.


Os negócios das mulheres são de porte menor atuando no setor de serviços, o maior gerador de empregos formais. É a área em que as mulheres mais inovam e onde têm maior potencial de crescimento. A evolução também está em profissões liberais, pequenos negócios e empresas de perfil familiar.

A mulher moderna corre atrás de ideais, é mais versátil e tem capacidade de atuar em atividades que antigamente eram típicas do universo masculino. O homem já é mais restrito. Há setores em que sua presença pode não ser bem vista por sua incapacidade de entender o que se passa no universo feminino: estética, beleza, vestuário, lingerie, alimentação, acessórios e calçados.


A mulher moderna é mais versátil e tem capacidade de integrar as atividades profissionais com atividades pessoais e voluntárias.


As mulheres acreditam muito mais na sua competência para ser bem sucedida e, na faixa etária maior de 50 anos, elas têm na atividade o seu maior objetivo.


– Uma boa parte das EMPREENDEDORAS acredita que são vistas com muita desconfiança pelas instituições de crédito.


– Nos últimos anos aos poucos a liderança exercida pelas mulheres vem crescendo nas organizações e nos negócios.


(*) – As EMPREENDEDORAS têm a gestão dos seus negócios mais participativa e menos agressiva.


(*) – O impacto da liderança feminina no EMPREENDEDORISMO é perceptível, positivo e um diferencial nos negócios. A maneira de lidar com perfis diferentes é essencial e se constituiu num talento em que as mulheres naturalmente têm maior habilidade.


Pesquisa GEM Brasil 2015: quando o assunto é a abertura de novos empreendimentos o público feminino é o mais expressivo e os dados apontam que o EMPREENDEDORISMO tem despertado mais interesse das mulheres. A proporção de “Empreendedores Novos” - os que têm um negócio com menos de 3,5 anos - é maior entre elas: 15,4% contra 12,6% de homens.


OBSTÁCULOS PARA A EMPREENDEDORA:

O mundo dos negócios é desafiador e para as mulheres o EMPREENDEDORISMO tem uma série de obstáculos a serem superados. É preciso que órgãos públicos e privados vejam o público feminino de maneira diferenciada:

– Falta de financiamento.

– Falta divulgação, eventos e premiações para o EMPREENDEDORISMO feminino.

– É preciso ampliar cursos, treinamentos, COACHING, literatura, CASES, networking e desenvolvimento de fontes de informações atualizadas.

– Faltam mais pesquisas a respeito de EMPREENDEDORISMO feminino.

– Falta o combate efetivo contra a visão preconceituosa em relação ao papel social da mulher (tarefas de dona de casa).

– Falta o reconhecimento do valor da DUPLA JORNADA.

(*) Cuidado:

A experiência mostra que isto nem sempre corresponde à realidade. Muitas vezes a EMPREENDEDORA pode apresentar um perfil bem negativo no trato com as pessoas... e colocar tudo a perder.


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