5 – FORDISMO – A MÃO de OBRA

Atualizado: 23 de Nov de 2019


INTRODUÇÃO:

O FORDISMO é visto como uma aplicação do TAYLORISMO, o modelo de organização da produção industrial, que transformou o trabalho nas fábricas no começo do século XX. As inovações de HENRY FORD, de ordem técnica e organizacional, foram revolucionárias e permitiram, a partir de 1914, a produção em massa e o consumo em massa.


A Linha de Produção, com altos investimentos em máquinas, instalações com esteiras rolantes e ferramentas especializadas, foi criada para levar as partes e as peças até os operários. A FORD reduziu o preço dos seus automóveis, tornando-os acessíveis para uma parcela maior de consumidores. Em pouco tempo, este modelo de produção foi se popularizando, sem ficar restrito somente à indústria automobilística. A Linha de Produção se espalhou para outros tipos de fábricas e para além dos EUA.

A MÃO DE OBRA NA FORD:

O TAYLORISMO e o FORDISMO formaram um novo tipo de trabalhador. Modelado de acordo com a disciplina criada para intensificar a produção, o trabalho se tornou uma ação contínua, em cadeia, com divisão de funções e pouca qualificação.


● ESPECIALIZAÇÃO FUNCIONAL:

Identicamente à Administração Científica, de FREDERICK TAYLOR, o sistema da FORD determinava a especialização. No processo produtivo, cada trabalhador executava apenas uma tarefa, específica, sem precisar de um conhecimento profundo sobre outras etapas da montagem para realizar sua parte no trabalho.


Ao executar apenas tarefas repetitivas, o operário perdeu qualificações, talento e perícia que foram incorporados às máquinas. Não havia mais necessidade de mão-de-obra altamente qualificada: o trabalho se resumia em saber montar o que estava estabelecido.

● CRÍTICAS:

O sistema foi considerado desumano – as tarefas repetitivas, numa dura jornada de trabalho, transformaram os operários em pessoas sem inteligência, criatividade e autonomia. Eles não comandavam os componentes da produção, não tinham capacidade de pensar, nem de preparar os equipamentos, não conseguiam avaliar a qualidade do fabricavam e não sabiam o que seus companheiros faziam. HENRY FORD teve como argumento o fato de que a empresa estava aberta a qualquer um e, portanto, havia emprego para todos.


● SALÁRIOS E JORNADA DE TRABALHO:

Tendo ou não qualificação, com oportunidade de emprego mais acessível, os operários não gostavam das tarefas e tinham muito pouca motivação por um salário de US$ 2.34/dia por nove horas diárias de trabalho.

O sistema de trabalho desgastante exigia dos operários maior esforço e atenção pela intensificação do regime de trabalho acima do normal. O absenteísmo era grande e a rotatividade chegava quase aos 400% ao ano, um índice de TURN OVER muito alto. Em muitos departamentos, era preciso contratar 300 homens para preencher 100 vagas.

FIVE DOLLAR DAY: para resolver o problema, em janeiro de 1914, foi anunciado o novo salário: de US$ 2.34 para US$ 5.0 (mais do que o dobro) para trabalhadores do sexo masculino por oito horas diárias de trabalho, semana de cinco dias e mais uma porcentagem sobre os lucros. Na época, a jornada na maioria das empresas americanas era entre 10 e 12 horas/dia entre US$ 1.90/dia e US$ 2.30/dia.


WAGE MOTIVE: o SALÁRIO DE MOTIVAÇÃO obteve dos trabalhadores maior esforço e empenho para manter seu emprego numa empresa com níveis de ganho acima do mercado. Mas, também teve mais um objetivo: os altos salários ganharam a lealdade e diminuíram os efeitos do ativismo sindical.


PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS: grande parte dos trabalhadores teve participação nos lucros após uma seleção prévia e a aprovação "Departamento Social" da FORD, mediante as seguintes condições:

estar trabalhado por seis meses ou mais na empresa.

a forma como conduziam suas vidas – jogos de azar consumo de álcool.


Para a verificação e aprovação, o DEPARTAMENTO contava com 50 funcionários e pessoal de apoio para manter o padrão. Posteriormente, este procedimento foi alvo de muita controvérsia e teve que ser amenizado por ser invasivo sobre a vida dos empregados.


Os investidores consideraram uma loucura e insensatez e muitos empresários fizeram diversas previsões sobre sua falência. Contrariando as piores expectativas, a empresa teve resultados notáveis:

1 – A rotatividade e o absenteísmo diminuíram. HENRY FORD via o aumento dos salários como recompensa aos trabalhadores mais produtivos.

2 – Os melhores e mais experientes trabalhadores de Detroit foram para a FORD elevando a produtividade e diminuindo custos de treinamento.

3 – Os concorrentes também tiveram que aumentar os salários para não perder os seus melhores trabalhadores.

4 – O padrão de vida da classe operária teve uma melhora significativa na condição social e econômica.

5 – FORD achava que seus operários poderiam ser consumidores comprando os carros que eles mesmos produziam, passando de empregados a clientes (provou que o aumento no salário foi uma das maiores economias que ele já havia feito: boa parte dos US$ 5.0 retornou à empresa). Foi uma visão bem avançada, mesmo nos dias de hoje.

6 – O resultado passou de US$ 30 milhões para US$ 60 milhões entre 1914 e 1916.

7 – O aumento do poder de compra criou maior movimento e beneficiou a economia local.

A DIVISÃO DO TRABALHO:

Corresponde à especialização de tarefas específicas com eficiência e rapidez na produção industrial. Este método, mecânico e repetitivo, dá maior agilidade aos movimentos, diminui o tempo gasto, mas, cria trabalhadores limitados que só conhecem uma etapa da produção.


Engenheiro Industrial: conhecia a produção, planejava o controle da montagem, verificava os componentes, preparava e reparava equipamentos e verificava a qualidade. Ao mesmo, tempo desenvolvia tarefas administrativas da área de produção.


Engenheiro de Produção: planejava todo o processo de fabricação.


Faxineiros:  limpavam as áreas de trabalho periodicamente.


Técnicos: circulavam no interior da linha de montagem e realizavam a tarefa de reparar e calibrar as ferramentas a serem utilizadas.


Especialistas: controlavam a qualidade das matérias-primas e do produto final.


Supervisores: procuravam problemas na linha de montagem para que a administração superior pudesse corrigi-los.


Reparadores: possuíam as habilidades dos antigos artesãos. Estavam no final da

linha de montagem verificando os eventuais defeitos de fabricação.


O CICLO DA PROSPERIDADE:

Além da indústria automobilística, o FORDISMO teve influência, direta ou indiretamente, em muitos outros setores, mudou a economia dos EUA e o modo de vida da época. Criou-se um Ciclo de Prosperidade: nos EUA a rede de rodovias teve um expressivo crescimento que possibilitou maior facilidade de locomoção da população e o surgimento de novos polos comerciais. Em pouco tempo, empresas de vários ramos de atividade como dos setores têxtil, siderúrgico, energético etc. também adotaram o sistema da LINHA DE MONTAGEM.


CAPITALISMO DO BEM-ESTAR SOCIAL:

HENRY FORD foi um dos pioneiros do "CAPITALISMO DO BEM-ESTAR SOCIAL", concebido para melhorar a situação dos seus trabalhadores e foi também um dos primeiros empresários americanos a empregar negros, mulheres e homens com deficiência.


OS SINDICATOS:

Apesar de revolucionário e progressista em diversos aspectos, HENRY FORD era antissindicalista, simpatizante do nazismo, muito conservador no sentido administrativo e nunca confiou em CONTADORES: sua palavra era lei. Como gestor, ele próprio conduzia as operações enquanto, naquele tempo, a maioria das fábricas trabalhava descentralizada, com um grande número de operários e sem organização.


Mesmo com o esforço diferenciado para melhorar as condições de vida de seus trabalhadores, HENRY FORD tinha grandes desavenças com os sindicatos. Na sua visão...

...os sindicatos sofriam a ingerência de determinados líderes que, mais prejudicavam, do que ajudavam os trabalhadores.

...os líderes sindicais incentivavam crises permanentes como a melhor maneira de influenciar e manter seu poder sobre os trabalhadores.

...os líderes sindicais diminuíam os índices de produtividade para criar mais vagas de emprego. Na opinião de HENRY FORD a produtividade era a chave para que a prosperidade econômica existisse.


Para impedir a atividade sindical, foi criado um sistema de intimidação sobre os sindicalistas que tentavam agremiar os funcionários de FORD. Como resultado, ocorreram lutas entre os seguranças e sindicalistas.

Sugestão de Leitura:

BOTELHO, ADRIANO. Do Fordismo à Produção Flexível. O Espaço da Indústria. 1ª. Edição, Editora Annablume, São Paulo, 2009.


FORD, HENRY. Os Princípios da Prosperidade. Prefácio e tradução: Monteiro Lobato. 4ª Edição, Editora Freitas Bastos, Rio de Janeiro, 2012.


BANHAM, RUSS. Um Século de Ford. Editora Tehabi Books, 2002.


WOMACK, JAMES P; JONES, DANIEL T.; ROOS, DANIEL. A Máquina que mudou o Mundo. 17ª Edição, Editora Campus, Rio de Janeiro, 1992.

HENRY FORD via no consumismo a chave para a paz.

“O dinheiro é a coisa mais inútil do mundo; não estou interessado nele, mas sim no que posso fazer pelo mundo com ele.”


Para HENRY FORD o desemprego não tinha qualquer significação econômica, mesmo que fosse de caráter passageiro e resultado de um período em que as mudanças organizacionais e as técnicas são consolidadas,era uma mera mudança, ao final da qual, o excesso de trabalhadores e de capital serão inteiramente absorvidos em outros ramos da atividade econômica.




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