3 – FORDISMO – OS PRINCÍPIOS BÁSICOS

INTRODUÇÃO:

Sem nenhuma dúvida HENRY FORD foi o grande promotor de inovações que no início do século passado transformaram a indústria.

A LINHA DE MONTAGEM com a produção em massa permitiu o acesso ao FORD Modelo T por uma enorme parcela de público.


A LINHA era um princípio já conhecido desde o começo do Século XIII no ARSENAL DE VENEZA para a construção naval, no sistema de produção e montagem de armas com ELI WITHNEY, com OLIVER EVANS em seu moinho automatizado e ELIHU ROOT para acelerar a produção do revólver COLT. Porém HENRY FORD aproveitou o método de maneira extensiva utilizando três princípios básicos que incrementaram ainda mais os seus resultados.


OS TRÊS PRINCÍPIOS BÁSICOS:

1 – Princípio de intensificação: diminuir o tempo de produção com o emprego imediato dos equipamentos e matéria-prima e a rápida colocação do produto no mercado.


2 – Princípio de produtividade: aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período (produtividade) por meio da especialização e da linha de montagem. O operário ganha mais e o empresário tem maior produção.


3 – Princípio de economicidade: reduzir estoques de matéria-prima ao mínimo de forma que o veículo fosse fabricado antes do vencimento do prazo de pagamento dos salários e da matéria-prima.

“Você poderia tirar de mim as minhas fábricas, queimar os meus prédios, mas se me der o meu pessoal, eu construirei outra vez todos os meus negócios.” “Nada é difícil se for dividido em pequenas partes.”


“É verdadeiramente velho o homem que pára de aprender, quer tenha vinte ou oitenta anos.”


“Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele.”


PADRONIZAÇÃO:

Utilizando os princípios de TAYLOR sobre padronização e simplificação, HENRY FORD se dedicava tenazmente em encontrar novas alternativas para reduzir custos (o que resultou em inúmeras inovações técnicas).


FORD e seus engenheiros criaram máquinas para produzir grandes quantidades de peças necessárias e métodos de montagem das peças assim que elas eram fabricadas. Com a LINHA DE MONTAGEM e com a padronização houve uma grande redução nos custos e no tempo de produção. Porém, os produtos não tinham flexibilidade.


INTEGRAÇÃO VERTICAL:

A FORD era totalmente Verticalizada e produzia tudo em busca de uma fabricação autossuficiente desde a matéria-prima ao produto final com um nível de produção excepcional. HENRY FORD procurou eliminar ao máximo os intermediários, adquiriu florestas, minas de ferro, minas de carvão e navios. Possuía desde a fábrica de vidros, plantação de seringueiras e siderúrgica e só eram adquiridos os componentes inviáveis de serem produzidos internamente.


IRON MOUNTAIN PLANT SERRARIA E POWER HOUSE:

Em 1919 HENRY FORD comprou vastas áreas florestais em MICHIGAN (313.000 acres) para obter o fornecimento de madeira. Montou um enorme complexo com uma grande usina hidrelétrica e a serraria em IRON MOUNTAIN.


Ali eram produzidas enormes quantidades de madeira para estruturas dos automóveis, partes de carroceria, peças tábuas e rodas de madeira para a fábrica FORD RIVER ROUGE. Também procurou adquirir ferrovias e produtos químicos para apoio à produção para ter autossuficiência.

PROPRIEDADES DA FORD:

Minas de carvão com capacidade de 11.800 toneladas/dia.

Vagões para transporte de carvão 1.000 unidades.

Minas de minério de ferro com capacidade de 450 toneladas/dia.

Oito navios para transporte de minério e produtos diversos.

Altos-fornos com capacidade de 1.200 toneladas de Ferro/dia.

Oito Usinas Hidroelétricas.

Noventa e nove navios usados como sucata para abastecer os Altos-fornos.

Usinas Siderúrgicas – 26.000 toneladas de aço/mês.

Forjas de aço em HIGHLAND PARK.

Três fábricas de Vidro – 500 toneladas/dia.

Fábrica de Cimento Portland para 2.500 barris/dia.

Fios – capacidade 13.607 kg/dia.

Fábrica de Tintas.

Fundição – ROUGE.

Fábrica de pneus – ROUGE.

Fábrica de papel reciclado – ROUGE.


RIVER ROUGE PLANT:

No final dos anos 1910 a fábrica de HIGHLAND PARK já havia se tornando inadequada. Em 1918 começou a construção de partes da fábrica e a linha de montagem em RIVER ROUGE que começaram a operar no início de 1920.


O local não desenvolvido ao longo do rio era vasto, o que permitiria uma expansão contínua e a opção de transporte fluvial ou ferroviário.


A linha de montagem em ROUGE produziu carros acabados bem como milhões de peças a serem enviadas para a rede de montagem das filiais. Em novembro a linha estava lançando 800 carros por dia.


A fábrica recebia o minério de ferro, carvão e calcário para depois fabricar o aço. Recebia borracha crua e para fabricar pneus. A fábrica também permitiu que a empresa construísse prédios de fábricas projetados acomodando fluxos de materiais e peças através de processos de fabricação e montagem recém-configurados de acordo com as experiências dos engenheiros no ajuste dos processos em HIGHLAND.

"O minério sai da mina no sábado e é entregue sob a forma de um carro ao consumidor, na terça-feira, à tarde".

Sugestão de Leitura:

GOUNET, THOMAS. Fordismo e Toyotismo - Na Civilização do Automóvel. Bom Tempo Editorial, São Paulo, 1999.

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